LOST GIRLS - LIVRO 01 de 03
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Por mais blasé
que se tente ser quanto a Alan Moore, fica difícil não aceitar que ele
mudou a cara dos quadrinhos. Mesmo antes de ser elevado a popstar dos
comics - coisa que ele detesta - com o megasucesso Watchmen, Moore não
aceitava fazer uma HQ se não fosse para dar o seu melhor. Foi assim com
Capitão Britânia, Miracleman, Monstro do Pântano, Batman: A Piada
Mortal, e até mesmo as dezenas de outras histórias que escreveu para a
Marvel UK (divisão do Reino Unido), DC Comics e tantas outras editoras.
Mesmo
depois que se desligou das grandes editoras continuou criando e
revolucionando. Alguns projetos eram tão complexos que não puderam ser
concluídos, como Big Numbers, no qual trabalhou com Bill Sienkwiecz.
Outros, mesmo levando muitos anos, ele os concluiu e nos deus novas
obras-primas. Foi o caso, por exemplo de Do Inferno, que levou dez anos
para ser terminado. Tão demorado quanto Do Inferno foi Lost Girls, que
levou 16 anos de sua vida e lhe rendeu um segundo casamento, com Melinda
Gebbie, ilustradora da HQ. Afinal, trabalhar 16 anos com uma pessoa já
era um casamento, então ele só oficializou a coisa.
Lost Girls é
uma HQ pornográfica. Porém, pornográfica nos termos de Alan Moore. Não
há um fio de história como desculpa para cenas tórridas. É quase o
oposto: cenas de sexo como desculpa para se contar uma história
incrível.
Moore nos traz Alice, Dorothy e Wendy, respectivamente
as protagonistas de Alice no Pais das Maravilhas (e Alice Através do
Espelho), O Mágico de Oz e Peter Pan. A primeira é uma senhora lésbica,
viciada em alguns alucinógenos, a segunda uma jovem solteira liberada, e
a terceira uma jovem senhora casada com um senhor extremamente
moralista.
As três estão no mesmo hotel e acabam se conhecendo.
Logo notam que suas vidas têm algumas coisas em comum, principalmente em
relação à descoberta do sexo. Cada uma então, começa a contar sobre seu
passado que, para elas, na época, parecia mais uma aventura em um mundo
estranho e mágico.
Alan Moore reconta os três contos de fadas de
um ponto de vista totalmente erótico. A arte de Melinda Gebbie se
encaixa perfeitamente nesta história que não visa primeiramente excitar,
mas nos transportar para uma realidade alternativa. Só não espere ver
Peter Pan como entregador de pizza, ou o Espantalho como personal
trainer. É praticamente uma HQ pornô-cult-underground. Mas garanto, é
foda!